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Por que o Brasil não certifica as suas Cidades Criativas?

6 de novembro de 2018

Na Rádio BandNews, Afonso Borges propõe uma titulação brasileira de “Cidades Criativas”, paralela à da UNESCO, como forma de estímulo.

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Leiam também no blog em “O Globo”.

 

A ideia é bem simples: por que cargas d’água deve-se restringir exclusivamente à Unesco a certificação do título  de “Cidade Criativa”? É certo que a Instituição, em 2004, criou o termo, ao dar ênfase às atividades circunscritas em sete áreas temáticas: Artesanato e Artes Folclóricas, Design, Cinema, Gastronomia, Literatura, Artes Midiáticas e Música. Atualmente, a sua rede conta com apenas 64 cidades no mundo com este título, cada uma com sua especialidade, em 72 países. O Brasil tem 3: Paraty (Gastronomia); João Pessoa ( Artesanato e Artes Folclóricas) e Brasília (Design).

Com o passar do tempo, a “peneira” da UNESCO está cada vez mais esgarçada e hoje é simples de participar. Mas o processo é burocratizado e os critérios, ao sabor do seus humores e preferências. A dificuldade é tanta, e tão absurda que o próprio Ministério da Cultura abriu um Edital APENAS para auxiliar no preenchimento dos requisitos. É inacreditável.

A sugestão é muito simples: o Brasil tem instituições e entidades mais que capacitadas para outorgar o título de “Cidade Criativa”, paralela à da UNESCO. Por que não o próprio Ministério da Cultura, amparado pela legalidade e rigor do SPHAN, não criam esta categoria? Ou, no âmbito dos estados, as Secretaria de Estado da Cultura, sob o guarda-chuva técnico do Iepha e do Sebrae não podem criar uma titulação própria, associada às Cidades Criativas e à Economia da Cultura. Será um estímulo concreto, inclusive, para que as cidades se credenciem.

Quer um exemplo? A cidade de Araxá, em Minas Gerais reúne todas as condições de receber esta Certificação, no âmbito regional, de início. Araxá tem a culinária própria, com os famosos doces de Araxá, tem a força do artesanato, do folclore (congados, culturas indígenas), da fabricação da cachaça, literatura (Fliaraxá), história (Dona Beja, entre outros) e o seu queijo Canastra é reconhecido internacionalmente.

Ao lado disso, fontes de financiamento junto ao bancos de fomentos para alavancar os pequenos negócios e startups culturais. Como venho defendendo há 10 anos, desde que lancei no “Sempre um Papo” o livro “Cidades Criativas – perspectivas”, organizado pela amiga Ana Carla Fonseca, pioneira no Brasil, uma cidade criativa se reinventa. Isso é fundamental, em um mundo que se transforma a cada dia. O segredo para isso é ter como base sua cultura, a busca por inovações (tecnológicas, sociais) e avidez por conexões de todas as ordens. As conexões devem dar-se também entre as cidades, formando uma rede de cidades criativas com perfil e a partir de critérios pertinentes ao contexto brasileiro. É a partir disso que conseguiremos impulsionar a economia da cultura de cada território, estabelecer diálogos entre cultura, turismo, meio ambiente e desenvolvimento e ainda envolver, nesse processo, o que a cidade tem de mais valioso: sua gente.

 

Aqui, o link para as Cidades Criativas da UNESCO: http://bit.ly/2JEhiiN

 

O livro indicado para a leitura é “Lei Rouanet – Muito Além dos (F)Atos”, de Henilton Menezes.