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A Ditadura prendeu Paulo Coelho antes, em 1969, no Paraná

30 de março de 2019

Paulo Coelho

O mundo se comoveu com o hipnótico artigo de Paulo Coelho, publicado no “The Washington Post” relatando, em detalhes, a tortura sofrida em 1974, no Brasil. Mas não foi a primeira vez que Paulo Coelho foi preso e torturado pela Ditadura Militar. Em 1969, ele, sua namorada e mais dois amigos foram de Fusca a Assunção, no Paraguai, para assistir um jogo da Seleção Brasileira, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 70. Uma daquelas aventuras de juventude. A paixão futebolística era só uma desculpa para cair na estrada - no final, eles nem assistiram a partida. 

Na volta, ao passar por Ponta Grossa, no Paraná, foram presos pelo Exército, confundidos com o Comando da VPR - Vanguarda Popular Revolucionária - que tinham assaltado um banco nas imediações. A VPR atuava no Vale do Ribeira. 

Quem conta esta história é o jornalista Fernando Morais, biógrafo do autor de “O Alquimista”. 

O aperto foi grande: levados para um quartel, jogados em uma sala e, devidamente amarrados, foram torturados por um Major com dente de ouro. Em dado momento, ele ameaçou: 

- Sabe estes dois dedos aqui? (mostrando o indicador e o médio, juntos, apontados para o nariz de Paulo). Com eles, eu vou arrancar o seu olho direito e deixar o esquerdo para você ver eu mastigar o seu olho, devagarinho. Vou fazer isso se você não confessar que assaltou o banco! 

Como terminou esta história? Tem que ler o livro “O Mago”, a biografia de Paulo Coelho, escrita por Morais. Foi por causa desta história que o jornalista recebeu, em uma aposta, o baú cheio de diários e textos. Tudo por causa do Major com dente de ouro, torturador. 

PS: O copyright do “hipnótico” da primeira linha é de Marcelo Rubens Paiva.