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A falta que Rubem Alves faz, por Afonso Borges

8 de maio de 2020

 

Hoje bateu uma baita saudade de Rubem Alves.  Ele era um fenômeno. Rodei o Brasil todo com ele e sua presença em debates era aguardada com ansiedade. Todo mundo queria ouvir sua fala mansa, pausada, quase celestial; todo mundo queria estar bem perto desse legítimo contador de histórias.

 

Suas crônicas e artigos atravessavam a linha entre a educação e o cotidiano. Tinha sempre um palavra positiva, ao final, recheados de exemplos que o leitor se identificava e se sentia compreendido. Mas todos se perguntavam quem era, de verdade, Rubem Alves. E que ele tinha de diferente.

 

É que, apesar de ser idolatrado por todos, o Rubem era um ser humano como todos nós. E é inevitável que os humanos sofram por amor. Até ele, o senhor das palavras, teve sua vida desestabilizada ao perder seu grande amor.

 

Foi assim – amando e sofrendo por não ser correspondido – que Rubem Alves esteve em Belo Horizonte, em 2014, para falar do livro “Canto de um Pássaro Encantado”.

 

Para nós, leitores, foi um momento de exemplos, alguns dos quais tomo a liberdade de comentar.

 

1) O que seria de Romeu e Julieta se Shakespeare não os tivesse matado antes do fim de seu livro? Para Rubem Alves, o casamento seria uma outra tragédia, por conta da rotina. Daí o sucesso do livro, que encanta apaixonados no mundo inteiro. “Amor feliz não dá literatura”, afirmou. Realmente: não teria graça uma novela sem desavenças amorosas.

 

2) A conseqüência do amor entre homem e mulher é o casamento. Rubem Alves fez questão de citar seu filósofo favorito: “Nietzsche diz que, quando a gente vai casar com uma pessoa, tem que se fazer uma pergunta: terei prazer em conversar com essa pessoa até o fim dos meus dias? O amor é sustentado pela conversa”, disse, vagarosamente, sílaba por sílaba.

 

3) E conversa tem tudo a ver com a verdade do coração. Mas quem manda nele? “Nós não somos responsáveis pelos nossos sentimentos. Somos responsáveis pelas nossas ações. Mas eu sinto que tenho direito de dizer o que estou sentindo”. Doa a quem doer.

 

4) “Idoso é palavra de fila de banco e supermercado. Velho é a palavra da poesia”. E os velhos também devem amar. Pena que também podem sofrer por amor.

 

5) Para muitos, a música sertaneja transmite emoção e sentimento. Para Rubem Alves é motivo de crime passional. “Eu acho que muito crime de amor é cometido por causa da música caipira”

 

Para ouvir o Podcast Mondolivro, da Rádio BandNews BH, falado por Afonso Borges, basta teclar em quaisquer das plataformas abaixo:

 

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Assista o trecho do vídeo teclando AQUI.