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A tarde na qual Bolsonaro deu um olé na imprensa brasileira

5 de setembro de 2019

Um belo drible

Há 25 anos, o mundo era outro - divulgar um evento cultural era assim: você fazia o mesmo release, mudava o título e algumas palavras no lead e mandava para a imprensa. Em todos os jornais, o mesmo texto era veiculado. Igual acontecia nas chamadas “colunas sociais”. Mas isso era há 25 anos. 

Hoje, dia 05 de setembro de 2019, o Brasil acordou há 25 anos. Ontem à tarde, foi publicado em uma edição extra do Diário Oficial a nomeação de Ricardo Braga para o cargo de Secretário Especial de Cultura que corresponde, em tese, ao antigo Ministro da Cultura, hoje ligado ao Ministério da Cidadania, chefiado por Osmar Terra. O portal G1 deu a notícia em primeira mão, sem nem fazer um hiperlink no nome do novo ocupante do cargo, como é comum. Aí aconteceu o baile. Todos os veículos de comunicação copiaram o texto da primeira matéria, feita pelo G1. E vejam, é pior do que se pode imaginar: o próprio Governo Federal, através de sua agência de notícias, não emitiu comunicado algum sobre a nomeação de Ricardo Braga. Em pesquisas, duas hipóteses: um cover de Roberto Carlos e um Pastor de Campinas. 

Somente agora pela manhã o colunista Lauro Jardim resolveu o mistério: 

“Nomeado ontem secretário especial de Cultura, Ricardo Braga é um completo desconhecido não só para o setor cultural — mas para o próprio ministro da Cidadania, Osmar Terra, de quem será, teoricamente, subordinado.

A indicação de Braga foi uma decisão tomada diretamente por Jair Bolsonaro, confirmando também na Cultura sua frase já célebre: 'Quem manda sou eu".

Braga pode ser enquadrado na categoria "terrivelmente evangélico". É pastor. Já foi secretário de Cultura de Holambra (SP) e diretor da Orquestra Municipal de Campinas.

Osmar Terra nem ao menos foi apresentado ainda a Braga, cujo currículo se desconhece.

Terra e Onix Lorenzoni, chefe da Casa Civil, defendiam para o cargo o nome de José Paulo Martins, interino no cargo desde a demissão de Henque Pires deixou a secretaria em agosto. Foram atropelados.”

Reproduzo aqui o texto do G1 para que alguma atualização não o modifique. 

“O presidente Jair Bolsonaro nomeou Ricardo Braga para o cargo de secretário especial da Cultura do Ministério da Cidadania. O decreto com a nomeação está publicado em edição extra do Diário Oficial da União que circula nesta quarta-feira, 4. 

No dia 22 de agosto, o então secretário de Cultura, José Henrique Medeiros Pires, foi exonerado do cargo. Pires deixou o posto após o governo suspender por 180 dias o edital para financiamento de obras com recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Obras com temática LGBT disputavam o edital, o que foi criticado por Bolsonaro. Pires afirmou, em entrevistas, que a suspensão foi a "gota d'água" e que pediu exoneração, apesar do ministro da Cidadania, Osmar Terra, ter reivindicado a autoria do pedido de demissão. O ministério, por ocasião da exoneração, disse que Pires não estava desempenhando as políticas propostas pela Pasta. 

Desde o dia 22 de agosto, a secretaria de Cultura estava sob comando do secretário-adjunto e secretário de Fomento e Incentivo à Cultura, José Paulo Soares Martins.”

Para comprovar, só ler as matérias abaixo: 

Istoé - http://bit.ly/2UxpoyR

G1 - https://glo.bo/34n1ivp 

Exame: http://bit.ly/2Uu9q8R

O Tempo: http://bit.ly/2UBNsAY

O Valor: http://bit.ly/2UxpoyR

Folha: http://bit.ly/34tcp5V

Estadão: http://bit.ly/2UxIPIc

E o mais incrível: a  agência Brasil (EBC) não deu uma linha:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/

Vivemos tempos estranhos.