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Agualusa e Gonçalo Falam de Leitura e Confinamento

1 de abril de 2020

 

Segundo os especialistas, o pico mais agudo do vírus se dará em 28 de abril. Hoje é dia, portanto, de zerar o cronômetro e imaginar que é o primeiro dia da quarentena. Nada de sair de casa, nem para passear. Façam exercícios em casa. E para amenizar este período, o Afonso Borges trouxe, para o Mondolivro, as vozes de dois importantes escritores de língua portuguesa, José Eduardo Agualusa e Gonçalo M. Tavares, que falam aqui sobre confinamento e, claro, literatura e leitura. Ouçam, da Rádio BandNews Belo Horizonte, teclando nas seguintes plataformas:

 

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Fala de José Eduardo Agualusa:

Me pede o Afonso uma mensagem dirigida as brasileiras e brasileiros. É a mesma que eu poderia dirigir aos angolanos e angolanas.

 

Somos povos forjados ao sol. Sofremos ao longo dos séculos doenças, fomes e a crueldade do sistema colonial e escravagista. E sobrevivemos. Vamos sobreviver também a este desafio. Estamos treinados na arte da sobrevivência. A mim, os livros tem me ajudado a traçar com tranquilidade, e até com alguma felicidade, a necessária reclusão deste dia. No meu caso, é até mais do que reclusão, é solidão, pois acabei ficando separado de minha família.

 

Os livros ajudam-nos a pensar e além disso nos permite viajar e conviver. São a invenção ideal para este tempo. Aproveitemos portante, para refletir sobre o futuro, sobre o nosso futuro individual e coletivo. A vida é muito breve. Temos que descobrir quem queremos ser e também quem queremos ter como dirigentes. Estes dias servem igualmente para isso, para testar a qualidade humana e técnica de quem nos governa.

 

Boa quarentena e espero que em breve possamos voltar a trocar beijos e abraços. Até já.

 

E, agora, de Gonçalo M. Tavares

 

Caros amigos brasileiros, daqui Gonçalo Tavares, de Portugal. Queria mandá-los um abraço daqui de Lisboa. Sei que no Brasil estão também nessa trivial pandemia tentando resistir o máximo possível. O que estamos a fazer aqui em Lisboa, todos, é estar em casa. Só as pessoas que tem que fazer o essencial, ligadas a alimentação e claro, a questões médicos e só questões mesmo, de urgência, que estão na rua. E então mandar um abraço e dizer que hoje ser religioso e ter responsabilidade social, é estar em casa. E sair, só também, se necessário para ajudar alguém. Isso que a gente fez.

 

É fundamental pedir aos mais velhos, pedir afetivamente, mesmo sem os abraços, mesmo sem a proximidade. Enfim, acho que o mundo inteiro, Portugal e Brasil, estão em um estado perigoso durante essas semanas. Temos que tratar da saúde, defender as gerações mais velhas, defender nossos pais, nossos avós. Esperar que depois disso tudo continuaremos aqui com força para criar, para escrever, para fazer coisas.. enfim. Abraços fortes e abraços com outro tipo de ideia de vida essencial. Mas pra já, infelizmente, todos nós teremos que aguentar semanas que vão ser duras. Um forte abraço e saúde para todos. Um forte abraço aos amigos brasileiros.

 

E o #MondolivroIndica de José Eduardo Agualusa, “Teoria Geral do Esquecimento” e de Gonçalo M. Tavares, “Uma Viagem à Índia”.