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Bolsonaro e Tibiriçá, qual deles será aquele menino?

21 de outubro de 2018

Crianças da Tortura

A possibilidade da vitória de Bolsonaro trouxe à tona memórias dos piores tempos da Ditadura Militar. Não que o Deputado tenha alguma coisa a ver, diretamente, com isso. O problema, de certa forma, é da nossa história. Atravessamos um tempo no qual o advento da “Lei da Anistia” inocentou a pior escória de gente da face da terra, o torturador. E o Coronel Ustra foi o único militar da história do Brasil reconhecido pela Justiça como torturador. E assassino sádico, responsável pela morte e tortura de mais de 500 pessoas.

O fotógrafo Fernando Rabelo postou em seu perfil no Facebook, fotos das crianças que iam “visitar” seus pais presos no DOI-CODI. Elas eram fichadas como criminosos comuns e iam para a cela assistir seus pais serem torturados – técnica para conseguir confissões. Todas estas crianças tornaram-se adultos marcados pelo estigma de “filhos de terroristas”. Um deles tornou-se um profissional destacado em sua área. Há três meses soube-se que ele tinha se matado, enfiando um revólver na boca e disparando.

Na mesma e exata proporção desta bala, o deputado Bolsonaro, na hora do voto no impeachment da Dilma, enalteceu o inominável torturador. Celebrou, assim, as atrocidades cometidas pelo Doutor Tibiriçá, codinome do ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.

O impacto do suicídio de um destes meninos é maior do que se imaginar. Ele se matou em pleno sofrimento coletivo provocado pelas eleições de 2018. Sabe-se lá o que passou na cabeça deste homem que se supunha ter superado as visões aterradoras da tortura de seus pais. Todos, nesta espécie de alheamento coletivo regado a Pristiq, imaginavam que aquele menino de 56 anos não existia mais. A cápsula do 38 que atravessou o seu cérebro está cravada no teto do apartamento na zona sul de São Paulo para provar que todos estavam errados.

Não há relação direta entre o candidato Bolsonaro e o tiro de 38 cravado no teto do apartamento daquela criança, daquele adulto, pensam alguns. Muito menos com a cápsula de 9mm da submetralhadora HK MP5, que atravessou a cabeça de Marielle Franco. Nada disso, também, tem relação direta com o Coronel Ustra.

Basta debruçar um olhar demorado nas fotos das crianças desta matéria. Qual delas será aquele menino? Afinal, não há relação direta entre os maus feitos do Doutor Tibiriçá e o deputado Bolsonaro, provável Presidente da República. É o que pensam, hoje, aqueles que darão seu voto a Jair Messias Bolsonaro, fazendo a história dar uma elipse e retornar ao ponto anterior.

Mesmo que não haja, supostamente, relação direta entre eles, Bolsonaro e Tibiriçá, como pensam alguns.

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