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Em 3 linhas, a Cultura volta a 1982

18 de dezembro de 2018

 

Alguém se lembra do professor Wilson Chaves? Ele dirigia, ali pelos idos de 1982, a Coordenadoria de Cultura. Esta foi a linha áurea traçada por José Aparecido de Oliveira, Angela Gutierrez, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos e tantos outros seres sensíveis destas Minas Gerais para a criação da Secretaria de Estado da Cultura, até então timidamente enfumaçada na Secretaria de Educação. À luz do imenso valor do Patrimônio Histórico, da talento da produção cultural e da importância da nossa arte, literatura, dança, música, circo e teatro, nasceu a Secretaria de Estado da Cultura.

 

Esta mesma Secretaria que hoje é enterrada, às vésperas do início do Governo Romeu Zema.

 

Falece sob a desimportância de 3 linhas, em uma matéria do “Estado de Minas”, hoje, sobre a composição do Secretariado. Apenas 3 linhas.

 

Falece no momento mais interessante da cultura brasileira. É o único setor da economia brasileira que cresceu, a despeito da imensa crise, iniciada em 2014. O único setor que devolve o investimento na proporção de 150%, na forma de impostos, empregos e negócios. Além, é claro, da sua atividade-fim, que a geração de sonhos e conhecimento.

 

Muito triste, aqui,  ao lembrar do esforço de José Aparecido de Oliveira. Da sua garra, da sua força, do seu permanente entusiasmo, correção e certeza de que o futuro está no desenvolvimento  da Cultura, hoje entendida como Economia Criativa.

 

Prefiro agora, num devaneio, pensar nos caminhos de arte e botânica do Inhotim, dos vôos dos bailarinos do Grupo Corpo e do Primeiro Ato, nas travas no coração que o Grupo Galpão e Ponto de Partida já me deram, no choro de encantamento que a vozes e canções de Bituca, Lô, Skank, Jota Quest, Celso Adolfo, Sergio Santos, Affonsinho, Fernandinha Takai, Titane, Vander Lee me trouxeram. Nas capistranas de Diamantina e um sem número de  de lugares, cheiros e gostos que representam a nossa alma.

 

Tudo o que sempre Fernando Brant conseguiu dizer, da sua casa, “tomando cerveja e ouvindo música”.  

 

Vamos lá, de volta a 1982, retomar as pilhas e pilhas de justificativas, motivos, certezas e canções para levar, novamente, a Cultura para o lugar onde merece estar.