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Em crise, Oratórios e Sant’anna deviam fazer um convite

28 de janeiro de 2019

 

O provável  fechamento do Museu do Oratório, em Ouro Preto, e do Museu de Sant’Anna, em Tiradentes, é a pior notícia que mundo do Patrimônio Histórico e Cultural do País poderia receber. Ambos criados e administrados pela empresária e restauradora Ângela Gutierrez, são mantidos pelas Leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura. Com a crise que se instaurou, a empresária mantém os dois Museus que fundou e doou todo o acervo. E inovou, afinal, estes objetos da fé nunca tiveram museus exclusivos. Um acervo que, certamente, poderia estar em sua casa ou em galerias particulares pelo mundo afora. Mas isso nem é o mais importante – o mais importante é que ela  doou o seu tempo de vida, a sua experiência,  a sua dedicação à causa museológica e à cultura e educação brasileira.

 

Mas é também um momento de virada, qualidade das crises. É hora de abrir a manutenção dos museus para o empresariado em geral, para os cidadãos, para a comunidade, na forma de Associação de Patronos. Vejam: viver sob o guarda-chuva da Lei Federal de Incentivo à Cultura é restringir o subsídio a empresas em regime de Lucro Real: bancos, siderúrgicas, algumas construtoras. Abrir uma Associação de Amigos ou de Patronos que podem doar recursos não-incentivados é o caminho real da sustentabilidade. E mudar a Lei, incluindo no texto as empresas de lucro presumido, hoje, é impossível devido aos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal.

 

A saída é o convite. A saída é convidar a comunidade, os pequenos e médios empresários e os cidadãos a colaborarem com recursos em regime de doação. Os mais importantes museus do mundo utilizam esta operação com eficiência financeira e de marketing. Adoção de peças do acervo, de programas educacionais, inclusão do nome dos patronos na ficha técnica, enfim, são inúmeras as vantagens institucionais dadas aos colaboradores. O Inhotim, por exemplo, comemora o sucesso do “Amigos do Inhotim”, que dá facilidades como entrada livre, desconto nas lojas, em pousadas, cortesias para convidados e até isenção fiscal para doação no IR Pessoa Física.

 

A saída está no convite.

 

Vamos todos participar da sustentabilidade dos museus brasileiros, começando pelo Oratório, de Ouro Preto e de Sant’Anna, em Tiradentes? É uma sugestão para ser implementada por estes e, por que não, por outros Museus brasileiros.

 

É  a hora.