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Existe Democracia sem verdade? Eugenio Bucci pergunta e Borges comenta no Mondolivro

8 de outubro de 2019

 

Afonso Borges, no @Mondolivro, da Rádio BandNewsBH fala sobre o novo livro do jornalista e professor Eugênio Bucci, no qual, com base em premissas de Hannah Harendt, ele pergunta: – existe democracia sem verdade factual?. Ouçam o podcast clicando nas plataformas abaixo:

 

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“Existe Democracia Sem Verdade Factual?”, o novo livro de Eugênio Bucci, professor titular da ECA-USP, dialoga com o pensamento de Hannah Arendt para refletir sobre o impacto da desinfovrmação sobre o debate público. O livro mostra que, sem a verdade factual, não há Democracia e não existe sequer a Política.

 

Depois de constatar que a mentira é tão velha quanto a linguagem – e, portanto, tão antiga quanto a humanidade –, o autor sustenta que as fake news (notícias fraudulentas) constituem um tipo mutante de tapeação, forjadas em escala industrial.

 

As fake news se disfarçam de relatos elaborados em redações profissionais e corroem os alicerces racionais da cultura democrática. Como se fossem uma espécie de vírus, produzem disfunções nos circuitos da política. A imprensa e as bibliotecas públicas, entre outras instituições, incumbidas historicamente de mediar o debate público e a circulação das ideias, estão sob ameaça.

 

O autor recorre, então, a um texto da filósofa Hannah Arendt lançado nos anos 60, “Verdade e Política”, para trabalhar o conceito de ‘verdade factual’. Esse conceito nos ajuda a entender que, sem a verdade objetiva e verificável dos fatos, não é concebível a ideia de política e não é viável o projeto da democracia.

 

Eugênio Bucci recupera ainda, como o estatuto dos fatos foi tratado em obras capitais do pensamento político – de Aristóteles a Max Weber, passando por Maquiavel. Nessa recapitulação, constata que toda ação política tem neles, os fatos, a referência incontornável.

 

O que acontece, então, quando os fatos deixam de ser a referência da política? Pode haver democracia aí? Ou apenas fanatismo? O livro afirma que duas estratégias contemporâneas concorrem para a interdição do conhecimento dos fatos. A primeira, designada de “apagões de real”, é produzida pela triangulação entre capital, tecnologia e poder. Aí, a avalanche de dados e imagens eletrônicas bloqueia o acesso ao vivido. A experiência do próprio sujeito se deixa substituir por telas, cifras e cenas espetaculares. A representação digital assume o lugar do que se experimenta no corpo.

 

A segunda estratégia de interdição dos fatos seria o “suicídio de consciência”, em que os próprios sujeitos se recusam a conhecer os fatos que contradizem suas crenças passionais.

 

Com essas proposições, o livro “Existe democracia sem verdade factual?” vai despertar a atenção das pessoas interessadas na qualidade das decisões políticas e no papel da comunicação dentro da democracia. O livro tem inspiração em duas conferências apresentadas em duas edições do Ciclo “Mutações”, coordenado por Adauto Novaes.