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Itabira está cercada por 490 milhões de rejeitos em 4 barragens

25 de janeiro de 2019

Marcos Caldeira informa: EXATOS 490 MILHÕES DE METROS CÚBICOS DE REJEITO CERCAM ITABIRA NESTE MOMENTO.  A EMPRESA VALE NÃO TEM MORAL PARA FALAR QUE ESTÁ TUDO SEGURO. 

(Que a cidade saiba se prevenir)

Barragem do Itabiruçu: 222,8 milhões de metros cúbicos de rejeito da mineração da Vale.

Barragem do Pontal: 220 milhões de metros cúbicos de rejeito da mineração da Vale.

Barragem de Conceição: 36 milhões de metros cúbicos de rejeito da mineração da Vale.

Barragem Rio de Peixe: 12,2 milhões de metros cúbicos de rejeito da mineração da Vale.

Itabira, não acredite quando a empresa Vale falar que está tudo seguro. A mineradora não tem moral para isso.

Protejamos Itabira.

O TREM ITABIRANO,

com fotos do site da Vale.

 

 

 

 

 

Amanheci lendo este artigo do Marcos Caldeira, do Trem Itabirano. À tarde, o desastre em Brumadinho. A pergunta é: quantas outras barragens tem em Minas que podem se romper? Viveremos com este medo?

A.

 

Itabira pode sofrer um desastre como o de Mariana?

400 MILHÕES DE METROS CÚBICOS DE REJEITO

DE MINÉRIO DA EMPRESA VALE CERCAM ITABIRA

Por Marcos Caldeira

Desde 5 de novembro de 2015, itabiranos se fazem esta pergunta: Itabira corre risco de sofrer uma hecatombe parecida com o que ocorreu em Mariana, onde o rompimento da barragem Fundão — sob responsabilidade da Samarco, controlada pelas mineradoras Vale e BHP Billiton — desgraçou o distrito de Bento Rodrigues, matou dezenove pessoas, enlameou dezenas de municípios, até no estado do Espírito Santo, e contaminou a bacia hidrográfica do Rio Doce?

O gerente Rodrigo Chaves, homem mais forte da empresa Vale em Itabira, afirmou na Câmara de Vereadores em 2018 que não. Falou palavras semelhantes às que eram ditas em Mariana antes da avant-première do apocalipse lá promovida pela firma que o emprega.

Tranquilidade, segurança, tudo conforme os mais modernos e rigorosos sistemas de proteção… É o que os homens das mineradoras sempre falam. Eles só ganham afirmando isso, é, do ponto de vista pessoal, ótimo estratagema. Se nada ocorrer, estarão sempre certos; caso ocorra um desastre, ficarão tão encrencados que o menor de seus problemas será o constrangimento por terem sido desmentidos pelos fatos.       

A Vale mantém em Itabira quatro barragens de rejeito de minério — “sistemas de deposição”, no eufemismo da empresa. O TREM trará ao leitor informações sobre cada uma, todas construídas nas décadas de 1970 e 1980.

O trabalho será feito apesar da dificuldade de obtenção de informações com a mineradora, que cortou o diálogo com o jornal após O TREM espalhar a informação do fim do minério em Itabira — e criticar a empresa por tê-la mantido em relatórios herméticos em vez de cumprir o que promete em propaganda: diálogo franco com as cidades onde atua. Omitiu de Itabira dado determinante para seu futuro.

A Vale responde a pergunta de todos os jornalistas itabiranos, só não conversa com O TREM, nem mesmo por e-mail.

A primeira barragem que O TREM desnudará para o leitor, em fotos feitas com drone, é a de Itabiruçu. Tem 37 anos, capacidade para 220,8 milhões de metros cúbicos de rejeito e 130,9 milhões de metros cúbicos de rejeito lá depositados.

As outras são Pontal, Rio de Peixe e Conceição. Somada a quantidade de rejeito das quatro, ultrapassa 400 milhões de metros cúbicos de rejeito.

Parodiando o que o visconde do Serro Frio disse sobre a capacidade de abastecimento do minério itabirano, é rejeito para entupir quinhentas Itabira por quinhentos séculos.

Que a cidade saiba se prevenir.

O TREM ITABIRANO.