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Livros para entender o Golpe de 64 que, em 1o. de abril, completa 55 anos

1 de abril de 2019

 

 

“A história é um carro alegre, cheia de um povo contente, que atropela indiferente todo aquele que a negue” (Pablo Milanes/Chico Buarque) – adequado para o dia de hoje, quando o Golpe de 64 completa 55 anos.

 

Ouvindo “Cancion por la unidad latinoamericana”, eu e Sergio Abranches fizemos uma lista de livros para se entender o Golpe de 64, que completa, hoje, dia 1o. de abril, 55 anos.

 

E como a história não pára, inventamos um “zerinho”, que é o livro “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva, autor de “Feliz Ano Velho”. Ouça o podcast “Mondolivro”, na Rádio BandNews FM Belo Horizonte clicando AQUI.

 

ZERO – Ainda Estou Aqui

Só no ano passado o autor pôde escrever com convicção a última frase: “torturado e morto por militares”. Foi quando a Comissão Nacional da Verdade conseguiu elucidar o caso do desaparecimento do político, um dos mais emblemáticos da ditadura: no segundo dia de tortura, Rubens Paiva não resistiu e seu corpo foi enterrado e desenterrado antes de ser lançado ao mar, confirmaram as testemunhas. A informação causava um alívio confuso aos Paiva — sentimento que ficou ainda mais perturbador quando o escritor viu surgir, na mesma época, passeatas que pediam a volta do regime militar. “A única forma de resolver essa angústia era escrever”, diz Marcelo, que no mesmo ano havia tido o primeiro filho, o que ampliou seu senso de urgência em contar a própria história. Mas o que era para ser um livro sobre a história do pai acabou se transformando em um acerto de contas com a mãe, Eunice Paiva, personagem fundamental na luta da família contra a ditadura, que hoje sofre de Alzheimer.

 

1 – 1964 – A Conquista do Estado – Ação Política, Poder e Golpe de Classe – René Armand Dreifuss – Resultado de uma pesquisa realizada entre 1976 e 1980, sobre o período do Golpe de 64, o livro mostra o papel e a função das forças sociais, e de que formas concretas elas faziam prevalecer seus interesses sobre as demais

 

2 – Os senhores das Gerais : os novos inconfidentes e o golpe militar de 1964 – Heloisa Starling – Uma narrativa historiográfica sobre o contexto do golpe de 1964, a partir da atuação de dois personagens desse evento. De um lado o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), organização para difusão de propaganda anticomunista e fomento de grupos golpistas, financiada pelos Estados Unidos. De outro os “Novos Inconfidentes”, grupo paramilitar formado por oficiais da reserva, policiais, ruralistas e membros do clero conservador, que chegaram a tramar o assassinato do presidente João Goulart. Navegando por camadas de nossa história, em uma ponte entre o presente e o passado, Os Senhores das Gerais é obra fundamental para compreender o golpe de 1964 e seus desdobramentos na história do Brasil.

 

3 – Brasil Nunca Mais – O Projeto Brasil: Nunca Mais desenvolvido por Dom Paulo Evaristo Arns, Rabino Henry Sobel, Pastor presbiteriano Jaime Wright e equipe, foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 durante o período final da ditadura militar no Brasil, no ano de 1985, e gerou uma importante documentação sobre a história do Brasil

 

4 – Tempos Extremos – Miriam Leitão (romance) – Quantos mistérios uma antiga fazenda perdida entre as serras das Minas Gerais pode guardar? Mistérios que chegam de forma inesperada, revelando passados diversos a uma família dividida por conflitos afetivos e políticos e ali sitiada por causa das chuvas. É o que Larissa, jovem deslocada entre os seus, descobrirá, em uma estranha jornada na qual perseguirá sombras e segredos para encontrar desejos autênticos e entender os próprios sonhos.

 

5. Coleção Elio Gaspari (A Ditadura Envergonhada, A Ditadura Escancarada, A Ditadura Derrotada e A Ditadura Encurralada, A Ditadura Acabada) – Mostra detalhes sobre o período da Ditadura Militar no Brasil, os cinco livros do escritor e jornalista Elio Gaspari se debruçam sobre todas as fases dos “anos de chumbo”, de 1964 a 1985. A primeira obra, a Ditadura Envergonhada, começa com o intenso processo de deposição do presidente João Goulart. A narrativa começa em 1964 e vai até a edição do Ato Institucional nº 5, em 1968.  Já o segundo volume, A Ditadura Escancarada, compreende os anos mais violentos do regime, entre 1969 e 1973. A Ditadura Derrotada traça os antecedentes de dois importantes generais: Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva. A Ditadura Encurralada, quarto livro, se aprofunda nos impasses da relação entre a Presidência e setores das Forças Armadas. Por fim, último volume da coletânea examina o final do governo Geisel, o movimento das Diretas Já, e a eleição de Tancredo Neves.

 

6 – Olho por Olho  –  Os livros Secretos da Ditadura – Lucas Figueiredo – Os bastidores dessa batalha, com detalhes de cortar o fôlego, estão agora reunidos no livro OLHO POR OLHO: OS LIVROS SECRETOS DA DITADURA, do jornalista Lucas Figueiredo. Na obra, Figueiredo revela toda a tensão dos seis anos de trabalho sigiloso do Brasil: nunca mais. E traz à tona o Orvil, o livro de quase mil páginas

 

7. Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo, de Mário Magalhães – Biografia que inspirou o filme Marighella, dirigido pelo ator Wagner Moura, a obra levou nove anos para ser escrita. A narrativa percorre a vida, a produção e a militância do controverso mulato baiano que foi deputado federal, poeta e estrategista da guerrilha no Brasil. A biografia de Carlos Marighella (1911-69) é também um livro sobre a história política entre as décadas de 1930 e 60. Ele foi vigiado pela CIA e monitorado pelo KGB, mas se manteve ativo ao longo de seus quase quarenta anos de militância. Suas obras viraram conhecidas mundialmente, principalmente o Minimanual do Guerrilheiro Urbano.

 

8. 1964: O Golpe que Derrubou um Presidente e Instituiu a Ditadura no Brasil, de Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes – Dois historiadores brasileiros apresentam nesta obra um panorama de como se instaurou a ditadura no país e suas consequências. Apesar de ser um trabalho com viés acadêmico, o livro busca trazer uma linguagem objetiva para ser acessível ao grande público. Para isso, os autores destacam personagens e momentos que marcaram o período, relembrando falas de personalidades e trechos de jornais que noticiaram o Golpe de 1964.

 

9. Infância Roubada: crianças atingidas pela ditadura militar no Brasil, de Comissão da Verdade do Estado de São Paulo “Rubens Paiva” – Este livro, produzido pela Comissão da Verdade do Estado de São Paulo, traz histórias privadas e álbuns das famílias afetadas pela ditadura militar, com foco nas crianças filhas de militantes perseguidos ou mortos. O material tenta rememorar, a partir dos relatos das vítimas, como o Estado militar tratou os filhos de seus inimigos, por meio de narrativas inéditas. Há fotografias e relatos das vítimas do regime.

 

10. Batismo de Sangue, de Frei Betto – Nesta obra que inspirou o filme homônimo, protagonizado por Caio Blat, Frei Betto relata suas descobertas sobre as circunstâncias da morte de Carlos Marighella, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN) assassinado em 1969. A tese que o autor defende é que o crime foi planejado de modo eliminar o maior inimigo do regime militar e também jogar a esquerda contra os frades dominicanos, fortes aliados dos militantes, enfraquecendo a oposição à ditadura.

 

11. Mulheres na Luta Armada: Protagonismo Feminino na Ação Libertadora Nacional, de Maria Cláudia Badan Ribeiro – Os anos da luta armada no Brasil não ganharam destaque na história da Ditadura Militar, ofuscada por recessão econômica e passeatas pela redemocratização. Nesta obra, a autora busca as histórias das mulheres que lutaram contra a ditadura romperam com a sociedade e com suas famílias que as queriam casadas. As páginas expõem as vidas tão pouco contadas das mulheres brasileiras que pegaram em armas contra a ditadura.

 

Este foi eu quem escolhi:

 

12. Que mistério tem Clarice?, de Sérgio Abranches – O sociólogo Sérgio Abranches retrata em forma de romance a história de uma mulher que decide contar aos filhos uma parte de sua história nunca revelada: sua participação na luta armada. Em uma mistura de prosa e poesia, o autor alia engenho e delicadeza, por meio da ficção, para abordar temas caros ao Brasil contemporâneo, como a culpa nos processos históricos, as faces movediças da verdade, o autoritarismo e a indiferença.

 

PS – Parte desta lista foi retirada da matéria da “Exame”, escrita por Clara Cerioni, a quem agradecemos.