No Fliaraxá, espaço Café Literário prioriza vozes regionais

19 de novembro de 2017

Mia Couto esteve por aqui e por ali, dentro do possível, como qualquer outro visitante no VI Festival Literário de Araxá. Hora folheava um livro na Blooks, hora posava para esta ou aquela foto com algum leitor, ora sentava na plateia da portentosa Sala Minas Gerais, no Tauá Grande Hotel de Araxá, para acompanhar, junto da simpática esposa Patrícia, qualquer dos painéis mediados por Afonso Borges. O mesmo pode ser dito sobre Cristóvão Tezza, autor do aclamado O Filho Eterno, Luiz Ruffato, Pedro Cardoso e tantos outros reconhecidos autores que passaram pelo Fliaraxá 2017. Mas também Cássio Amaral, Mara Senna, Rafael Nolli, Beto Junqueyra, Lucrécia Leite e outros talentosíssimos escritores da região de Araxá estiveram sob esta mesma atmosfera, conversando com leitores, participando de painéis e autografando suas obras.

O espaço Café Literário, também chamado de Araxá, Terra das Letras, abrigou ao longo de toda esta edição conversas interessantíssimas sobre literatura. Junto da livraria Nobel, montada no mesmo ambiente, funcionou com o charme dos melhores cafés literários. A primeira dessas conversas, às 14h do dia 16 de novembro, com o divertido Canarinho e mediação de Luiz Humberto França, curador local do Fliaraxá, teve o tema ‘Universo dos causos e o jeito mineiro de ser’.

“Fomos além neste ano e inovamos com o espaço Araxá, Terras das Letras, abrindo ainda mais espaço para os autores locais. Queríamos fortalecer esse elo: autores internacionais, autores nacionais e autores locais, o leitor convivendo com eles todos. Nós tivemos três vezes mais autores que no ano passado”, conta França.

Humberto acredita que a herança artística consolidada pelo Fliaraxá ano após ano na cidade-balneário do interior mineiro está nutrindo gerações futuras de grandes escritores de prestígio. Esta convicção se refletiu diretamente num dos painéis do Café Literário, logo no segundo dia de festival, com o tema ‘Ficção: a hora e a vez das novas gerações’, em que os jovens Paulo Henrique Bragança e Lucas Matheus de Souza puderam apresentar suas criações a uma atenta plateia.

“O Fliaraxá abre espaço para os autores com mais experiência, mas não esquece dos novos autores. Como curador local, eu tive a oportunidade de conversar com quase todos, conhecer suas produções. A ideia é abrir portas para eles”, finaliza.

Paradoxalmente, o Café Literário recebeu, no último dia, não uma conversa regional, mas sim um painel internacional: os lusos Alexandre de Souza e Joana Rodrigues conversaram com Luiz Humberto França sobre intercâmbios literários entre Brasil e Portugal. Não por acaso, o festival tem levado o nome de Araxá ao resto o mundo. Desse modo, levar longe também os nomes dos autores da região não parece uma ambição impossível.

Fotografia: Frankli Caldeira

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