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O exemplo e seu duplo, o simulacro, atinge o candidato Haddad

14 de agosto de 2018

Paisagem brasielira

Um dia alguém tem que tocar uma investigação: onde e quando entrou o exemplo na educação brasileira? O exemplo acabou com o argumento. O debate de ideias transformou-se no campo da ilustração, do desenho. Quer explicar? Dê um exemplo. Quer se fazer entender? Exemplifique. Quer tornar sua fala mais popular, mais “simples”?

 O debate, no campo das ideias e dos argumentos ficou à mercê do caso da Luciana, que subiu no telhado, escorregou e esborrachou-se lá embaixo demonstrou o quanto as telhas devem ser colocadas em paralelo e não em cruz. E pronto, vamos para outro assunto que este já morreu. Mas quem morreu mesmo foi a pobre da Luciana. E o pior nem é isso, a Luciana nem vem ao caso. O importantel é provar que só a telha colocada em paralelo é certa. É a falsa força do exemplo, que se tornou simulacro.

Contaminado pela necessidade de se fazer entender, de forma “simples”, o candidato do PT, Fernando Haddad, no  “Catraca Livre” nesta 2a.feira, dia 13, se deixou levar pelo desenho. Mas ilustrou mal, mas tão mal, mas tão mal, que perdeu uma bela oportunidade: pela primeira vez em debates, os entrevistadores, Gilberto Dimenstein, Alê Youssef, Djamila Ribeiro e Marcelo Rubens Paiva perguntaram sobre Cultura. E o ex-prefeito de São Paulo não resistiu à necessidade de dar um exemplo. Leiam:

 “Até onde vai a Lei Rouanet? O que eu já ganhei de livro que foi patrocinado pela Lei Rouanet que não serve para absolutamente nada! Livros enormes, de paisagem não sei de onde, que não serve pra nada. Você vai ver o custo daquele projeto, dois, três milhões de reais!! Qual o sentido disso?”, finalizou.

A extensão da pobreza e da infelicidade do candidato excedeu todos os limites da compreensão. Os entrevistadores cruzaram na cabeça do atacante, a bola veio redonda, nem precisava saltar para fazer o gol (ops, um exemplo!). Ao invés de falar da potência da Economia Criativa que, sozinha, emprega mais que a indústria automobilística, preferiu a acusaão leviana e gracejo tolo. Preferiu acusar a edição de livros de arte, todos devidamente aprovados pelo Ministério da Cultura, sem nenhum critério ético nem de conteúdo. “estes livros enormes, de paisagem”?? Como?? Quais??  “Que custam dois e três milhões de reais??” Quais, candidato? Dê nomes aos bois nesta “paisagem”. Isso é superfaturamento!

Haddad optou pelo ataque avulso e mal intencionado à Lei Rouanet, a Geni do momento, como fez os seus pares de Ministério, no Governo Lula. É mais simples dar “exemplos” do que estudar, se informar, conferir números, analisar o cenário e a extensa gama de alternativas e possibilidades que a Cultura, entendida como Economia Criativa, pode proporcionar ao País em termos de impostos, empregos e negócios.

 É mais simples replicar, em paradoxo, a fala dos conservadores, sempre prontos a levantar a voz sobre os maus usos do “dinheiro do povo”, vindo da Lei Rouanet, que “financia” grandes espetáculos e shows. Um dia a própria Sociedade há de destruir esta visão tacanha e distorcida da Lei Federal de Incentivo à Cultura, motor – único – da produção cultural brasileira.

Na tradição das religiões, não existem exemplos, e sim histórias. Também na filosofia, na literatura, na vida, as histórias dão chão aos argumentos e os enchem de conteúdo. Alguém tem que investigar quando o exemplo entrou na vida política e cultural brasileira. E tornou a história um simulacro.

Vamos tentar de novo: quais são seus planos para a Cultura Brasileira, candidato(s) e candidata?