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Onde começa o homem e termina o marqueteiro?

6 de setembro de 2019

 

Aqui, o texto da minha coluna no portal do jornal “O Globo” sobre a farsa midiática e ilegal do prefeito Crivella na Bienal do Rio. Ao final, fez a festa dos executivos da Marvel. Para ler no jornal, só teclar AQUI. 

 

Me lembro de uma frase já gasta, usada na Ditadura, quando o a polícia montada jogava os cavalos em cima dos manifestantes, num festival de cacetadas: “a gente não sabe onde termina o cavalo e começa o homem”. Apesar de considerá-la uma ofensa ao animal de quatro patas, cai como uma luva para a atitude do Prefeito Marcelo Crivella, ao ordenar a retirada do livro da Marvel na Bienal do Rio de Janeiro.

 

Eu mudaria esta frase, hoje, para “a gente não sabe onde começa o político e termina o marqueteiro”. A série “Vingadores: A cruzada das crianças” traz em si a inadequação do título: não poderia colocar “crianças” na capa de um livro destinado a jovens e adolescentes (obrigado, Eduardo). Mas isso não justifica o recolhimento do livro nem mesmo a estúpida, midiática e inconstitucional ação dos fiscais de um órgão de governo cujo nome, por si só, explica tudo: Secretaria Municipal de Ordem Pública do Rio (Seop-RJ).

 

O mais divertido é a combinação de estratégias: de um lado, uma empresa mundial de entretenimento que não dá ponto sem nó. Ou alguém acha que a cena dos dois rapazes se beijando foi uma coisa fortuita, acidental, inocente? É claro que não – foi pensada, repensada, discutida em uma metodologia que, sem dúvida, inclui o posicionamento dos conservadores como marketing de venda.

 

De outro lado, um prefeito que necessita jogar holofotes sobre si mesmo para desviar a atenção da péssima administração que vem fazendo no Rio de Janeiro, como trouxe à luz Bernardo Melo Franco, na coluna de hoje, em “O Globo”.

 

E o que aconteceu? O livro esgotou, em minutos, na Bienal do Rio. Enquanto, às gargalhadas, os executivos da Marvel estouram uma champagne, em sua homenagem.