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Por falar em revólver, Itabira…. Por Marcos Caldeira

16 de janeiro de 2019

POR FALAR EM REVÓLVER, ITABIRA…

(Solução para conquistar a independência econômica: parar com essa frescuragem de educação, cultura e poesia e fabricar armas) Por Marcos Caldeira *

 

Posse, porte, atirar em pessoas, matar, matar, matar, arminha com as mãos, fuzil, revólver e Jair Bolsonaro — redundo-me?

 

O momento no Brasil é deveras propício à indústria da morte, mas até o fechamento desta frase não apareceu itabirano, sempre atento às tendências de mercado, disposto a reativar a Fábrica de Armas e Munições do Jirau, fundada em Itabira no início do século XIX pelo político José Paulo de Souza.

 

Instalada a nordeste do pico do Cauê, a cerca de 7 quilômetros do centro da cidade, foi uma das primeiras do Brasil no ramo. Suas forjas receberam elogios do botânico e naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), que a visitou. O estabelecimento atesta a indústria dos mineiros, escreveu.

 

De outro estrangeiro, o geólogo e metalurgista alemão Wilhelm Ludwig von Eschwege, que chegou a Minas em 1811, a fábrica recebeu uma mãozinha, segundo anotou o germânico: “Em Itabira do Mato Dentro foi o único lugar onde havia uma espécie de forno de peito fechado. (…) O proprietário possuía várias forjas de ferreiro para fundição de ferro. Dei a esse homem todas as instruções necessárias para o assentamento de um malho hidráulico, de que ninguém fazia ideia. Enviei-lhe mesmo, por algum tempo, um ferreiro alemão, de modo que o nosso homem fez grandes progressos na fabricação de ferro”.

 

Um jornal do Rio de Janeiro corroborou o entusiasmo de Saint-Hilaire. “Produzia espingardas de bom aço e pólvora de primeira qualidade”, escreveu “A Manhã” em reportagem de página inteira na capa da edição de 9 de junho de 1946.

 

Talvez esteja aí a solução para Itabira conquistar a tão almejada independência econômica. Parar com essa frescuragem de educação, cultura e poesia e fabricar armas.

 

O momento no Brasil — reitere-se — é muito, muito propício.

 

 

O TREM ITABIRANO.

Na foto, a Fábrica do Jirau na capa do jornal “A Manhã” – Imagem enviada aO TREM pela filósofa Maria Luiza  Penna Moreira, assinante do jornal no Rio de Janeiro.

 

*  Agradecemos a Marcos Caldeira a gentileza da autorização para publicação do texto no Mondolivro.