fbpx

Nós podemos acabar com o Inhotim. Simbora? É Fácil.

4 de abril de 2019

 

A lama não chegou ao Inhotim. Passou longe, por sinal. No dia da tragédia, foi fechado por excesso de zelo e, principalmente, respeito aos familiares de funcionários e aos cidadãos de Brumadinho. Mas fechou. E mais: muita gente pensou que, com esta atitude, Inhotim seria destruído. Afinal, rolou um “Inhotim será evacuado”, eu me lembro. Ficou registrado na memória de todos que houve perigo, houve ameaça.

 

Acontece que não houve ameaça alguma. Houve respeito, dignidade, compaixão. São mais de 600 pessoas contratadas, a maioria em primeiro emprego. Afora os terceirizados. Não seria exagero dizer perto de mil famílias, quase todas da região.

 

Acontece que a lama arrasou a alma de toda a gente. O crime ambiental levou quase 300 pessoas e deixou cravado no coração uma tristeza imensa, do tamanho do mundo. As cenas da tragédia se espalharam e trouxeram outro sentimento: o medo. Outras barragens foram denunciadas, a insegurança surgiu nas vozes de Nova Lima, Macacos, Barão de Cocais, Itabira, Congonhas e tantas outras. O medo.

 

Agora, todos nós, pelo medo, estamos cometendo um outro crime, inconscientemente:

 

– Acabando com Inhotim.

 

Ninguém mais vai lá. Tem medo. Tem receio. E faz silêncio. A Minas do silêncio, que já interditou tantos empreendimentos, acabou com famílias, relacionamentos, revelou-se. A Minas dos romances inacabados, dos segredos invioláveis, das inconfidências, dos tratados de paz assinados entre paredes, a Minas do cao. Das minas de caolim, que perfuram as entranhas da terra seguindo o veio de cristal. Os túneis.

 

Vamos nós podemos, desta vez, mudar esta história e voltar a frequentar o Inhotim, sem medo. E isso não depende de Governo, de patrocinadores, de empresas, de dinheiro. Depende de nós, de vocês.  É hora de trocar a Minas do silêncio pela Minas da solidariedade, da beleza, do futuro, da esperança. Isso tudo tem, no Inhotim, sobrando, pode ter certeza.