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Sou “Artigo 5o.” pela liberdade que ele expressa

28 de julho de 2019

 

 

O coletivo “Artigo 5o.” surgiu em reação a uma demanda objetiva: a ameaça de extinção da ANCINE, sortida de promessas de filtros de conteúdo, tomando como exemplo o filme  “Bruna Surfistinha”. Mas palavra “liberdade” está além do combate ao ato de censurar. Está associada a cuidado, vigilância, atenção.

 

Quando a cultura de um País é atacada, alvos colaterais são atingidos. Estes “alvos colaterais” aos quais me refiro são talvez o foco principal. A estratégia deste Governo é atingir o centro do poder e minar conquistas sociais relacionadas ao Capital: exploração das riquezas naturais, leis trabalhistas, espólios protegidos, educação pública/privada e, por fim, a natureza da sociedade justa e igualitária.

 

Substantivos como solidariedade, justiça para todos e democracia plena não fazem parte do vocabulário de quem deseja consolidar privilégios. Eu me refiro a privilégios de ordem econômica – apenas de ordem econômica.

 

Por trás de cada movimento deste Governo, decretos-leis e outros artifícios do mundo da burocracia de Estado estão modificando, aos poucos, o panorama legal e normativo das leis constituídas.

 

Em outra face desta balbúrdia, a anestesia torna normal o ataque às raças, minorias, índios e o saber constituído. Voltamos ao tempo no qual a leitura e os leitores são considerados subversivos. Voltamos ao tempo do Macarthismo, que tira da tumba o Comunismo como a força opositora, a ser massacrada, enfrentada, destruída.  Quando nem os países considerados comunistas o praticam mais, na sua integralidade.

 

O “Artigo 5o.” pressupõe ação política e não apenas cultural. Pela liberdade que ele expressa, e não só pela liberdade de expressão.

 

Afonso Borges