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Uma tragédia linguística cerca a Vale no caso de Brumadinho

7 de fevereiro de 2019

 

Hoje tentei ir ao espaço cultural da Vale, na Praça da Liberdade e dei com as portas fechadas. No portão,  a informação histriônica, à beira da mentira: “Estamos mobilizados para prestar apoio aos impactados pelo rompimento da barragem de Brumadinho e às comunidades afetadas”. Em tempo, me lembrei que um grupo de artistas decidiu retirar suas obras da exposição ali instalada, em “sinal de protesto” à tragédia. São bolsistas de um Edital e receberam um prêmio de R$ 7.000,00 para desenvolver a pesquisa e exibir o trabalho, nos espaços culturais da Vale.  Divulgaram um Manifesto, colocaram as peças debaixo do braço e se mandaram. Sem devolver o valor recebido, é claro.

 

Mas um nó linguístico desagradável vai encontrar forma, em breve. Pelo andar dos acontecimentos, será impossível localizar todos os corpos das vítimas, em Brumadinho (até o momento, 182 desaparecidos). E será natural que todo aquele local seja preservado, seja conservado. Será natural que a região da barragem seja reconfigurada, que a natureza seja recomposta e ali se transforme em um Memorial. É o que aconteceu em outros locai pelo mundo afora, em situações como esta, vide New York, onde estavam as Torres Gêmeas.

 

O desconforto é que o espaço cultural da Vale, na Praça da Liberdade, chama-se “Memorial Vale Minas Gerais” – uma bizarra coincidência. E isso tem que passar por um processo de cura, ou seja, a empresa deve mudar o nome do espaço cultural em BH, urgentemente. Será inevitável que, no local da tragédia, se instale o  “Memorial Brumadinho”.

 

Na minha opinião, ali deve ser construído um memorial onde as famílias e o público possam frequentar, possam carpir sua dor e prestar homenagens à memória dos mortos que não conseguiram ser resgatados. E dos que ali faleceram. Como nas guerras, ali deve ser um campo santo, destinado à reflexão, à meditação. Um lugar onde o silêncio substitua, de uma vez por todas, o barulho infernal dos homens irresponsáveis que deixaram a ganância subverter o cuidado, a vida e a humanidade.