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A arte de revelar informações escondidas em histórias esquecidas

13 de novembro de 2020

Texto: Marina Vidal – estagiária sob supervisão

O Sempre Um Papo recebeu o jornalista e escritor Luís Costa Pinto e o editor e publisher da Geração Editorial, Luiz Fernando Emediato, para falarem sobre o livro “TRAPAÇA – SAGA POLÍTICA NO UNIVERSO PARALELO BRASILEIRO”, volumes 1 e 2. Essa foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 11 de agosto de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

Os convidados introduziram o livro informando que a ideia inicial era de se produzir um roteiro. “Luís Costa Pinto é um jornalista que eu conheço há muitos anos, ele sempre me dizia que queria contar a história dele, mas fazendo um roteiro porque ele queria fazer filme, série, não pensava em fazer livro. Mas para a sorte da minha editora ele não conseguiu produzir um dos roteiros”, comemorou Luiz Fernando Emediato. Luís contou que fazia 10 anos que estava com essa história do volume um, que são os cinco meses que levaram a cassação do Collor, e queria uma forma de contar. Por isso, ele procurou o roteirista Doc Comparato que o aconselhou a esquecer a ideia de fazer um roteiro, mas sim, um livro.

A saga surgiu, segundo Luiz Fernando Emediato, de uma grande vontade do autor de revelar esse processo investigativo que o levou a escrever os livros de forma rápida. “Ele já estava com o livro pronto, em três ou quatro meses, um fenômeno. Ele entregou, eu publiquei e logo depois ele disse: já estou acabando o segundo e o terceiro ele disse que entrega até o final desse ano, para publicar no início do ano que vem. Isso é fantástico”. Contudo, o editor teve um receio inicial com relação a temática englobada pela obra. “Quando ele me disse que o tema do primeiro livro era o caso do impeachment do Collor eu imaginei: mas o que é que tem de novo para contar sobre essa história que todo mundo já sabe e já está lá atrás, tem 30 anos”.

Apesar dessas questões, Emediato apostou e teve uma surpresa. “Ele fala exatamente daquilo que a gente já sabe, mas conta como aconteceu, os bastidores e é de um sabor, é uma coisa maravilhosa. E o segundo volume mais ainda. Cada volume parece que vai ficando mais picante, mais irreverente e a gente fica ali, perplexo diante do que acontece diante dos nossos olhos e a gente não sabe”. O editor ainda completou que o livro apresenta tudo aquilo que a imprensa não deu, é sobre como aconteceu e, a cada página, uma surpresa”.

Luís Costa Pinto explica que a utilização do termo universo paralelo no título se deve a presença de histórias que são quase fictícias. “O preâmbulo do livro é uma história que está fora do escopo do impeachment que é o meu primeiro dia na revista Veja, aonde eu fui para chefiar a sucursal do Recife”. Então, ele decidiu escrever uma saga em um universo paralelo para mostrar que as coisas, que de fato aconteceram, parecem que são um relato ficcional. Além de que esse volume, numa primeira versão, foi escrito com nomes não reais, já que estava receoso com as consequências que iriam gerar caso o Collor não gostasse. Mas,  ao final, o autor conferiu com vários advogados e comprovou todos os fatos narrados com documentos oficiais já publicados.

O autor utilizou o termo spoiler para fazer um resumo de seu livro. “O meu livro é um grande spoiler porque todo mundo já sabe como terminou, não tem exatamente uma novidade em relação aos fatos como eles aconteceram, mas é conhecer um pouco as pessoas”. Luiz Fernando Emediato achou modesta a colocação de Luís Costa Pinto, apontando o escritor como um ótimo condutor da história, tanto como narrador e personagem. “Uma coisa que o Costa Pinto conta muito bem nesse livro é como que ele participa de todas essas histórias, como que ele é testemunha e nunca se envolve nelas. Isso é fantástico, nunca se compromete, ele apenas ouve, pondera, analisa, aceita ou rejeita”.

Para concluir, Luís Costa Pinto também explicou o significado do título: Trapaça. “Porque trapaça é um guarda-chuva, quando as pessoas leem o livro elas percebem que a trapaça está no jogo da política, está no jogo da imprensa, no jogo da imprensa dento das redações, da disputa entre colegas de redação, na disputa entre veículos, na briga pela notícia e também na vida pessoal porque aí também tem uma cor de vida pessoal, quando eu  revelo os meus dramas”.

Essa conversa pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=9YgSVTUVIyU&t=1336s