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Conexão de pessoas por meio da literatura é tema de mesa no primeiro dia do IX Fliaraxá 

28 de outubro de 2020

A chegada da pandemia nos afastou fisicamente, mas nos conectou ainda mais no online, proporcionando trocas de informações e saberes diversos. Muitas iniciativas tiveram que migrar para o digital. O Fliaraxá foi uma delas e na abertura tratou justamente da conexão de pessoas. Da mesa “Literatura conectando pessoas”, participaram Pedro Pacífico, influencer literário; Winnie Bueno, criadora da Winnieteca, uma iniciativa para conectar pessoas por meio dos livros para promover mudança contra o racismo; e Mell Ferraz, também influenciadora da leitura no canal Literature-se. 

Cada projeto com suas características específicas são importantes para diferentes tipos de pessoas em diferentes situações. Todas as iniciativas surgiram a partir de experiências e necessidades próprias de cada criador. 

Winniteca

O projeto de Winnie Bueno surgiu há dois anos, mas é uma construção da vida inteira. “Sou apaixonada pelos livros desde criança. Eles me salvaram muitas vezes contra o racismo, contra o sexismo. Principalmente contra o racismo em um lugar que é muito racista, o Rio Grande do Sul. Esse amor aos livros nasce daí, é uma bóia de salvação”, destacou Winnie. 

Dessa forma, a partir de uma provocação no Twitter, desenvolveu uma plataforma dentro da própria rede social que permite a distribuição de livros para pessoas negras. Funciona assim: após acessar o @Winniteca basta ir na opção de enviar uma mensagem. Em seguida, duas opções aparecem, a de doar e a de receber livros. São livros específicos de acordo com o pedido de cada pessoa. O desenvolvimento do sistema só foi possível porque o Twitter entendeu a importância do projeto e automatizou o recurso.

Winnie é escritora e mestre em direito. O primeiro livro publicado é fruto da dissertação de mestrado e trata de imagens de controle, um conceito cunhado por Patricia Hill Collins, uma das mais importantes intelectuais negras da atualidade. 

Pedro Pacífico

Por outro lado, a relação de Pacífico com os livros se deu de uma forma diferente. Ele não teve uma família leitora. “Então, eu ficava um pouco sem noção sobre o que ler, em que momento. Com o tempo, comecei a descobrir perfis literários na internet e me encorajei a amadurecer como leitor”, destaca Pedro. Ele é advogado e conciliou a vida no direito com a produção de conteúdo de livros para a internet.

Sendo assim, é responsável pelo @Book.ster, um dos maiores perfis no Instagram dedicado a dicas, resenhas e comentários de experiências pessoais. “Como eu vi uma mudança grande no meu perfil como leitor, e eu estava gostando disso, eu quis levar essa experiência adiante. Eu queria mostrar que todo mundo pode ler”, relembrou. 

A conexão de Pedro com as pessoas por meio da literatura se expandiu durante a quarentena. Nos últimos meses houve uma demanda para que ele transformasse os bate-papos que estava fazendo no Instagram em podcast. Assim surgiu o “Daria um livro”. Os primeiros quatro episódios foram com convidados da live e agora ele se dedica ao formato e vai compartilhar entrevistas exclusivas nas plataformas de streaming. 

Mell Ferraz

A história de Mell Ferraz com internet e literatura começou aos 17 anos. “Eu estava em um momento de solidão. Queria encontrar com pessoas e falar sobre literatura na internet e isso foi como um abraço”, recorda. Ela criou, então, o canal Literature-se no YouTube e expandiu para as outras redes sociais. Em resumo, ela fala sobre os livros que lê, sobre os que é convidada a ler e com os que trabalha. Ela se formou em Estudos Literários. Além disso, é professora de redação, literatura e revisora de textos literários e acadêmicos. 

A seguir você confere a conversa completa com os três convidados.

Acesse aqui a programação completa.

SOBRE O FLIARAXÁ

O Fliaraxá foi criado em 2012 pelo empreendedor cultural e diretor-presidente da Associação Cultural Sempre um Papo, Afonso Borges. As cinco primeiras edições aconteceram no pátio da Fundação Calmon Barreto e, a partir de 2017, o festival passou a ocupar o Tauá Grande Hotel de Araxá, patrimônio histórico do Estado de Minas Gerais, edificação construída em 1942. Naquela edição, nasceu também o “Fliaraxá Gastronomia”. Cerca de 140 mil pessoas passaram pelo festival. Mais de 400 autores participaram da programação.

IX FLIARAXÁ – FESTIVAL LITERÁRIO DE ARAXÁ – 28 DE OUTUBRO A 1.º DE NOVEMBRO DE 2020

Transmissão virtual 24 horas pelos canais:

www.youtube.com/fliaraxa

www.fliaraxa.com.br

Texto por Jaiane Souza/Culturadoria

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