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Crônica: a impressão de um instante

8 de outubro de 2021

Por Laura Rossetti (*)

O Sempre Um Papo recebeu, no dia 7 de outubro de 2021, quinta-feira, o escritor e jornalista Lindolfo Paoliello. O mote da conversa com Afonso Borges foi o lançamento do livro “A Crônica De Lindolfo Paoliello”, escrito pela professora e crítica literária Letícia Malard. O autor também abordou, durante o bate-papo, o carinho que sente por Ubá, sua cidade natal, as características do gênero crônica e o contexto em que escreveu alguns de seus livros, como “Nosso Alegre Gurufim”, de 1983.

O livro “A Crônica De Lindolfo Paoliello”, recém-publicado pela Del Rey, surgiu a partir de uma conversa de Lindolfo com o criador da editora. Juntos, os dois concordaram em publicar um livro que marcasse os 40 anos de Paoliello dedicados à literatura. Afinal, ele estreou como escritor em 1981, com o livro de crônicas “A Rebelião Das Mal-amadas”.

Como não havia ainda uma obra crítica sobre suas crônicas, Lindolfo acolheu com entusiasmo a ideia de convidar Letícia Malard, doutora em Literatura Brasileira pela UFMG, para escrevê-la. Nas palavras do cronista, Letícia é “(…) uma fada da literatura, uma das maiores conhecedoras da obra de Machado de Assis no Brasil e admirada por todos”.

Perguntado sobre o que é a crônica, Lindolfo afirmou se tratar de um gênero literário mais simples do que os demais, mas de muito valor. “A crônica é fácil de ler, é bem-humorada e registra a forma como vivemos e falamos, a linguagem coloquial. É a literatura sem paletó e gravata. A literatura próxima de nós”. Por essa razão, o autor recomenda a crônica aos leitores iniciantes. Para ele, este gênero é uma perfeita porta de entrada para todo o vasto universo literário.

Paoliello conta que, assim como Malard, acredita que a crônica deve passar por um processo de restauração e valorização, pois, com o passar do tempo, ela perdeu espaço dentro das universidades e dos próprios jornais. Afinal, a crônica possui grande valor histórico, já que, segundo Lindolfo, ela expressa a forma como as pessoas vivem e o seu entorno. “A crônica situa o leitor, décadas depois, no conhecimento de uma época”. O autor defende ainda que, apesar de ter surgido na França, no século XIX, a crônica se tornou um gênero essencialmente brasileiro. “A crônica é tão brasileira quanto o chorinho”, diz.

Outra característica da crônica citada por Lindolfo é sua relação com o impressionismo, movimento artístico que se iniciou também na França, no final do século XIX. Assim como os impressionistas espelhavam em suas telas as impressões de luminosidade, cores e sombras das paisagens, os cronistas em seus textos também realizam a captação de um momento. A crônica é a captura “de um instante imperdível que toca a alma do cronista”.

Lindolfo falou ainda sobre a importância que Ubá, município de Minas Gerais onde nasceu, teve em sua trajetória. O autor afirma sentir também muito carinho pelo estado, que possui, para além das belas paisagens e da deliciosa culinária, um espírito único e acolhedor. “Minas é muito importante para mim. Eu cultivo muito o estilo mineiro, o estilo da concórdia, do equilíbrio”, afirma ele, lembrando que os mineiros são conhecidos por serem pessoas hospitaleiras, que conquistam os visitantes de toda parte.

O bate-papo, que contou com tradução em Libras, foi uma edição do #SempreUmPapoEmCasa, com acesso gratuito e transmissão pelas redes sociais do projeto. Confira a gravação da conversa no YouTube, Instagram e Facebook do Sempre Um Papo.

* Estagiária sob a supervisão da jornalista Jozane Faleiro

Frases:

“Eu sou muito contra aquela afirmação do Sartre de que ‘o inferno são os outros’. Eu acho que a vida são os outros: aqueles que nos cercam, quer sejam da família, quer sejam amores, quer sejam os grandes amigos” – Lindolfo Paoliello

“A crônica é o portal de entrada na literatura” – Lindolfo Paoliello

“A crônica é a literatura da síntese” – Lindolfo Paoliello

“Os cronistas atuais, assim chamados, deixaram de lado alguns aspectos essenciais de um gênero literário que não tem necessariamente uma técnica, mas uma alma” – Lindolfo Paoliello