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Desvendando Drummond

11 de outubro de 2021

Por Laura Rossetti (*)

O Sempre Um Papo Itabira recebeu o escritor e jornalista Humberto Werneck para conversar com Afonso Borges sobre o processo de produção da biografia de Carlos Drummond de Andrade. A transmissão da conversa aconteceu no sábado, dia 9 de outubro de 2021, data em que a cidade de Itabira completou 173 anos. O programa, traduzido em Libras, foi transmitido às 19h pelas redes sociais do Sempre Um Papo.

Desde 2016, Humberto Werneck está escrevendo uma biografia do escritor itabirano Carlos Drummond de Andrade, considerado um dos mais destacados poetas brasileiros do século XX. O livro foi encomendado pela editora Companhia das Letras e ainda não possui data de lançamento. O motivo é evidente: “Uma empreitada dessa exige um enorme volume de pesquisa”, afirma Werneck.

O autor conta que uma das maiores dificuldades no trabalho de levantamento e apuração de informações para a construção da biografia é o fato de Drummond não ter levado uma vida aventuresca, com grandes acontecimentos. “Ele não teve uma vida como Vinicius de Moraes, muito cheia de acontecimentos externos”, explica. Por exemplo, Werneck afirma que Drummond não gostava de viajar. “Ele saiu do Brasil poucas vezes e, todas elas, em função do nascimento de seus três netos em Buenos Aires – já que a filha dele se casou com um argentino”, diz.

Mesmo com a falta de ocasiões extraordinárias na vida do poeta, o autor destaca que Drummond é, com certeza, “um grande assunto”. “A falta de acontecimentos assim não é um problema. Quando você repara em artistas que tiveram uma vida espetacular, uma vida sensacional e cinematográfica, você percebe que, muitas vezes, sua obra é pior do que sua vida”, afirma.

Esta não é a primeira biografia de Werneck. Em 2008, ele publicou “O Santo Sujo: A Vida De Jayme Ovalle”, que narra com detalhes a vida, obra e trajetória do compositor paraense. O autor conta que passou nada menos do que 17 anos trabalhando neste livro. Na biografia que está escrevendo, Werneck garante que será mais sucinto. “Quando me perguntam quando vai sair o livro de Drummond eu digo que eu espero que o livro saia antes de mim”, brinca.

Humberto comentou sobre como é interessante o fato de Drummond ter escrito sobre sua infância e adolescência na cidade de Itabira ao longo de toda a vida. “Ele abordou esses assuntos sob todos os ângulos. Ele tratou de Itabira o tempo todo (…). Poucos itabiranos foram tão obcecados com seu berço como Carlos Drummond de Andrade”, argumenta.

Werneck aponta também que o poeta, em sua escrita, falou de forma excepcional sobre BH, onde morou durante 14 anos. “A Belo Horizonte que transparece na obra dele é muito fabulosa. Escrever sobre ela também deu um grande trabalho de elaboração”. Assim como Drummond, outros escritores contemporâneos a ele, como Pedro Nava, Emílio Moura, Fernando Sabino e Milton Campos abordaram a capital de Minas em suas produções. “Todos eles deram à cidade uma projeção. Cada qual à sua maneira passou a vida ‘ruminando’ Belo Horizonte”, afirma.

Sobre esses e outros autores, Werneck fala em seu livro “O Desatino da Rapaziada: jornalistas e escritores em Minas Gerais”, publicado em 1992. A obra traça um percurso bibliográfico do cenário literário e jornalístico mineiro entre 1920 e 1970.

Esta foi mais uma edição do #SempreUmPapoEmCasa. Acesse a gravação completa da conversa nas redes sociais do projeto: Instagram, Facebook e YouTube.

*Estagiária sob a supervisão da jornalista Jozane Faleiro

Frases

“Drummond foi um grande conservador e organizador de memórias”.  – Humberto Werneck

“Na biografia, você tem que tirar o personagem do abstrato e fazer dele uma pessoa verossímil aos olhos de quem está lendo” – Humberto Werneck