3 de março de 2026
Festival está estruturado em territórios de pensamento e trilhas de sentido, consolidando nova fase conceitual, mantendo o equilíbrio de gênero, sexo e raça
O Fliaraxá realiza sua 14ª edição de 14 a 17 de maio de 2026, no Teatro CBMM do Centro Cultural Uniaraxá, inaugurando uma nova fase em sua trajetória. Com o tema “Meu Lugar no Mundo”, o festival passa a organizar sua programação em territórios de pensamento e trilhas de sentido, consolidando um modelo inovador no cenário dos eventos literários brasileiros.
Com patrocínio da CBMM, via Lei Rouanet, o Fliaraxá 2026 distribui sua programação em cinco Territórios: Sentidos, Educação, Pertencimento, Formação e Criatividade. A proposta é integrar literatura, reflexão contemporânea, formação de leitores e desenvolvimento cultural local em um único ecossistema.
O 14º. Festival Literário Internacional de Araxá celebra os 100 anos de nascimento de Milton Santos, que será o Patrono do Fliaraxá 2026, e destaca o escritor angolano José Eduardo Agualusa como Autor Homenageado, ampliando o diálogo internacional e reafirmando o compromisso com a reflexão crítica e a literatura em língua portuguesa. A cidade de Araxá terá como autora homenageada Maria de Lourdes Vasconcellos, de 97 anos, da Academia Araxaense de Letras.
Participam desta edição nomes como Renato Noguera, Geni Núñez, Alexandre Coimbra Amaral, Bianca Santana, Leila Ferreira, Nina Santos, Gustavo Ziller, Marcelino Freire, Matheus Leitão, Tiganá Santana, Sérgio Abranches e o escritor angolano José Eduardo Agualusa, promovendo encontros que estimulam diálogo direto entre autores e público.
A ESCOLHA DO TEMA
O tema “Meu Lugar no Mundo” parte de uma ideia essencial: cada pessoa tem um lugar no mundo que não se resume à casa ou ao ponto em que está. Esse lugar é o bairro, a escola e todos os espaços que se atravessa no cotidiano. É também o conjunto de pessoas à volta — a família, os amigos, os professores, os encontros e as ausências — e as histórias que se vive nesses caminhos. É aquilo em que se acredita e, sobretudo, a maneira como cada um se constrói como pessoa, física e afetiva, a partir dos vínculos que cria e das experiências que carrega.
Ao homenagear Milton Santos, o Fliaraxá aproxima o tema da noção de “território” como lugar vivido: o espaço em que estamos, onde estudamos, trabalhamos e convivemos, e que ganha sentido porque é habitado por relações, memórias e desejos. Por isso, “Meu Lugar no Mundo” se torna um convite aos estudantes para escreverem sobre como cada um se entende no próprio território, como se inclui nele e como se vê dentro dele. Por meio da literatura, a redação deve revelar como cada participante se reconhece no mundo e como os afetos, as experiências e os vínculos construídos no dia a dia ajudam a formar quem se é.
Esse redesenho nasce do diálogo com grandes encontros internacionais de criação e reflexão, como o SXSW (South by Southwest), realizado desde 1987 em Austin, nos Estados Unidos. A inspiração, no entanto, não está na reprodução de modelos, mas na ideia de festival como ecossistema vivo de ideias, traduzido para o nosso contexto cultural, social e simbólico.
OS TERRITÓRIOS E AS TRILHAS
O Território dos Sentidos concentra a programação noturna e é estruturado em quatro trilhas temáticas que dialogam diretamente com as questões do nosso tempo: Afeto, Amor e Identidade; Família, Solidão e Cuidado; Corpo, Saúde e Movimento; e Futuro, Tecnologia e Humanidade.
Durante o dia, o Território da Educação mobiliza escolas públicas e privadas com palestras e ações formativas. É nesse espaço que se realiza o tradicional Prêmio de Redação do Fliaraxá, que envolve estudantes de diferentes faixas etárias e, nesta edição, passa a incluir também alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). O prêmio começa dois meses antes do festival, ampliando seu impacto junto à rede escolar e incentivando a produção textual e o protagonismo juvenil.
O Território do Pertencimento, organizado em parceria com a Academia Araxaense de Letras, dedica-se exclusivamente aos autores de Araxá e da região, garantindo visibilidade à produção literária local e fortalecendo a identidade cultural da cidade. Já o Território da Formação concentra a programação infantil e juvenil, ampliando o envolvimento das famílias, enquanto o Território da Criatividade, conhecido como “Fliaraxá da Gente”, integra artesanato, gastronomia e economia criativa à programação cultural.
Gratuito e aberto ao público, o Fliaraxá reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, a valorização do autor brasileiro e o fortalecimento do vínculo entre literatura e comunidade. Na 14ª edição, o festival consolida-se como espaço de diálogo, escuta e troca de experiências — um evento onde a literatura deixa de ser apenas assunto e se transforma em experiência compartilhada.
PRÊMIO DE REDAÇÃO AMPLIADO PARA O EJA
No Território da Educação, o tradicional Prêmio de Redação do Fliaraxá assume, nesta edição, o tema “Meu Lugar no Mundo”, propondo aos estudantes um exercício de escrita que parte do cotidiano para chegar à identidade, ao pertencimento e ao cuidado com a comunidade. A ideia é ampliar a noção de “lugar” para além da casa: bairro, escola, caminhos, relações, histórias vividas, valores e afetos que formam cada pessoa. Em diálogo com o pensamento de Milton Santos sobre o “território” como espaço vivido, o prêmio convida cada participante a escrever como se reconhece no mundo, como se inclui nele e que vínculos o sustentam — transformando experiência em linguagem e fortalecendo o protagonismo. A novidade de 2026 é a criação de uma modalidade específica para alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), reunindo participantes de 18 a 80 anos, ampliando o alcance do prêmio e reafirmando que a literatura é um direito de todas as idades.
.Na sua 14ª edição, o Fliaraxá reafirma seu compromisso com a palavra viva, com o encontro e com a convicção de que a literatura segue sendo uma das mais potentes formas de imaginar futuros possíveis.
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