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Literatura é a extensão da personalidade

23 de julho de 2020

Texto: Marina Vidal – estagiária sob supervisão

O Sempre Um Papo recebeu os escritores Marcelino Freire e João Victor Idaló, este um jovem escritor de Araxá/MG, para falarem sobre “A vida como ela é/ será”. Esta foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pelo jornalista Afonso Borges, no dia 23 de julho de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo.

A conversa teve início com os autores relatando sobre seus sentimentos com relação ao período de pandemia. Marcelino disse que as pessoas estão enfrentando um período muito difícil e que precisam de apoio. “Acho que os artistas têm se mobilizado, estão criando lives e estratégias de abraço solidário a todos que tem passado por esse momento”. João Victor afirmou que apesar da situação adversa é um momento de reflexão e ensinamento. “É um momento que nos faz voltar as origens, nos encontrar com a natureza, com as nossas raízes, com a nossa família, que traz para nós o pensamento de que nada daquele mundo anterior a pandemia, aquele mundo tão líquido, tão ligado as máquinas, ao dinheiro, nada daquilo é tão importante quanto a nossa vida, quanto a nossa integridade, quanto o nosso amor”.

Marcelino Freire contou que uma das ferramentas que tem o ajudado muito nesse período são os livros. “Esses escritores todos estão me abraçando para eu tentar entender o que nós estamos vivendo nesse instante. Eu tenho assistido muitas entrevistas antigas, tenho lido muitos poetas que passaram por outras pandemias e eles tem me ensinado a enfrentar esse presente tortuoso”. 

João Victor Idaló tem 16 anos e é o convidado mais jovem que já participou do Sempre Um Papo. Ele também compartilha dessa paixão pela literatura. “Eu sempre fui um leitor muito viciado nas palavras, eu sempre gostei muito de ler, de escrever e de falar, desde de muito pequeno eu tive um contato muito próximo com os livros”. O escritor gosta muito de política, característica expressiva em seus poemas, e é apaixonado por Araxá. “Araxá é uma cidade muito rica culturalmente, com gente muito boa. Não nasci aqui, mas é a minha cidade, onde o meu coração vive, um lugar pelo qual eu tenho uma admiração eterna”.

O jovem autor foi elogiado por Marcelino Freire. “Pelo o que eu estava ouvindo do João, já percebi comprometimento. Então, a literatura para ele já é extensão do corpo dele, da fala, da personalidade”. Para Freire, a pessoa quando escreve deixa uma parte de si nas palavras. “Escrever, colocar uma palavra na página é a extensão da nossa personalidade”.

A importância do incentivo do professor na educação literária e para a leitura foi frisada por Marcelino. “Tem pessoas que aparecem na vida da gente para fazer muita diferença e eu encontrei no meu caminho essas figuras. Luiza Cavalcanti foi uma professora de teatro que me incentivou a gostar de teatro, com ela aprendi a trabalhar em grupo, aprendi a ser parceiro, companheiro, cúmplice e, a partir daí, eu fui produzindo as minhas primeiras peças de teatro”.

O incentivo que João Victor Idaló recebeu da família e dos professores foi essencial para seu desenvolvimento literário. “Esses ambientes da escola e de casa me incentivaram a sempre querer conhecer mais, a ser curioso, a querer ler mais, saber ler o mundo e não apenas os livros. Não apenas me dando aulas ou me dando lições de moral, mas ensinando a ir além dos livros, além das palavras que eu podia ver quando escrever”.

Marcelino Freire é professor de Oficina de Literatura e afirma que o escritor precisa se comprometer com a palavras que está escrevendo. “O que eu tento extrair das pessoas que vão fazer o curso comigo é que elas se comprometam, tragam palavras e consigam defender, sair com essas palavras à rua, palavras em que a pessoa consiga se vestir e ir com elas na esquina”.

Para encerrar, Marcelino falou que a pandemia já alterou nossas vidas. “Estamos todos dentro de uma pandemia e isso não é fácil, já estamos modificados, não sei como, de que maneira, mas já estamos modificados”. João partilha do pensamento do autor e propõe mudanças comportamentais. “Precisamos agora acabar com essa urbanofagia, esse consumo sanguinário e prestar mais atenção na irmandade, ver que todos somos iguais, todos somos humanos, todos merecemos e devemos ter os mesmos direitos e deveres”.

O encontro foi contemplado por leituras de trechos dos livros dos autores, João Victor Idaló leu poesias de seu livro “Vox Dulcis”, lançado em 2020 (Ed. Adelante) e Marcelino Freire leu textos do livro “Bagageiro” (Ed.José Olympio).

Essa conversa na íntegra pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=QBzIRDxkx9U