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O ambientalista espalhador de passarinhos

2 de julho de 2021

Por Laura Rossetti (*)

O Sempre Um Papo dá sequência à programação de 2021, ano em que comemora 35 anos de realização, com mais uma transmissão ao vivo pelas redes sociais do projeto. O autor convidado desta quinta-feira, 1 de julho, foi o jornalista e escritor mineiro Humberto Werneck, para falar com Afonso Borges sobre o livro “O Espalhador De Passarinhos”, lançado em junho pela editora Arquipélago.

Esta, no entanto, não é a primeira edição do livro. A obra, que reúne crônicas escritas em diferentes momentos da trajetória de Werneck – incluindo algumas que foram publicadas ainda no início de sua carreira, no jornal “Publimetro” –  já havia sido publicada em 2010. A diferença desta nova edição está no fato do livro ter sido revisitado e modificado pelo autor à luz dos dias atuais.

“Eu percebi que algumas crônicas tinham se tornado anacrônicas”, brinca o autor referindo-se aos textos da primeira edição que se tornaram ultrapassados com o passar do tempo. “Eu acho que errei um pouco na seleção, de forma que, quando foi passando o tempo, eu comecei a achar que o livro poderia, como dizia Otto Lara Resende, ser ‘despiorado’. Eu senti necessidade disso”, explica.

A crônica que intitula o livro foi inspirada em seu pai, Hugo Werneck, o ambientalista espalhador de passarinhos.“Meu pai era um passarinheiro. Muitas vezes, ele pegava passarinho em um lugar onde havia uma fartura (deles), atravessava de carro às vezes distâncias enormes e soltava esses passarinhos onde eles já estivessem extintos ou estivessem em extinção”, conta.

Durante a live, também foram lembrados diversos escritores mineiros que Werneck conheceu – além do já mencionado Otto Lara Resende -, como Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino e Hélio Pellegrino. Este último, segundo Werneck, era bastante enfático e gostava de gesticular. “O Hélio falava comigo e outro colega ‘Vocês têm que sair daqui. Vocês têm que sair de Minas Gerais sob pena de se tornarem secretário da educação!’”, relembra o autor, aos risos.

Durante o Sempre Um Papo, ele disse, ainda, que, em sua juventude, quando começou a se interessar pela literatura, ele leu livros de grandes escritores como Fiódor Dostoiévski e Machado de Assis, além de autores católicos como Jacques e Raïssa Maritain, por influência de seus pais. Pensando em sua trajetória, Werneck deu um conselho a quem é iniciante na escrita. ”Se eu sei alguma coisa que eu posso falar a alguém que está começando é o seguinte: grude-se nos melhores escritores que você puder”, recomenda.

Além de “O Espalhador De Passarinhos”, Humberto Werneck é autor de mais seis livros, dentre eles “O Desatino da Rapaziada”, de 1992, que conta a trajetória de grandes jornalistas e escritores de Minas Gerais; “O Santo Sujo: A Vida De Jayme Ovalle”, de 2008, uma biografia do compositor e poeta paraense; e “Sonhos Rebobinados”, de 2014, também um livro de crônicas.

Esta foi mais uma edição do #SempreUmPapoEmCasa, com acesso gratuito e tradução simultânea em Libras. Acesse a gravação completa da conversa nas redes sociais do Sempre Um Papo: Instagram, Facebook e YouTube.

*Estagiária sob a supervisão da jornalista Jozane Faleiro

Frases

“Quando eu vou brindar, eu costumo falar ‘Vida longa e morte súbita!’” – Humberto Werneck

“Eu sou incapaz de voltar em alguma coisa que eu tenha escrito sem que a mão coce para melhorar”. – Humberto Werneck

 “Eu comecei a ser jornalista um pouco como uma maneira de não me tornar advogado, que era o que se esperava de mim“- Humberto Werneck

“Meu pai é um homem que envelheceu para a esquerda, e não estou falando exatamente da política não (…), ele ficou com a cabeça muito mais aberta”. – Humberto Werneck

“Meu pai falava ‘Poxa, eu vou dar trabalho à morte. Ela vai ter que vir atrás de mim’”. – Humberto Werneck

“Me emociono de lembrar que foi escrevendo sobre o meu pai que eu resolvi minha relação com ele. Escritor resolve uma coisa como? Escrevendo”. – Humberto Werneck