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“O Primeiro Automóvel”: réquiem de Drummond para a Ford

12 de janeiro de 2021

Reproduzo aqui, sem a sua permissão e passível de processo, o email que recebi agora de Marcos Caldeira, editor do “Trem Itabirano”, contendo o poema de Drummond.

Agora que a cidade vai ter festival, o “Flitabira” preparem: Itabira vai virar Dublin.

Afonso Borges

 

RÉQUIEM PARA A FORD NO BRASIL: primeiro carro de Itabira e o poema de Carlos Drummond de Andrade

 

Mexendo no arquivão dO TREM, achei essa fotografia do primeiro carro de Itabira, um Ford, de Chico Osório, cantado por Carlos Drummond de Andrade em “Boitempo – Esquecer para Lembrar”. O espanto com a novidade fica latente na contemplação dos dois meninos, cuja postura sugere aguda penetração visual.

 

PRIMEIRO AUTOMÓVEL

Carlos Drummond de Andrade

 

Que coisa-bicho
que estranheza preto-lustrosa
evém-vindo pelo barro afora?

 

É o automóvel de Chico Osório
é o anúncio da nova aurora
é o primeiro carro, o Ford primeiro
é a sentença do fim do cavalo
do fim da tropa, do fim da roda
do carro de boi.

 

Lá vem puxado por junta de bois.