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O programa 15 minutos de Papo com Carlos Starling como convidado comemora um ano

10 de julho de 2021

No dia 10 de julho o Quinze Minutos de Papo completa um ano de existência e o programa de comemoração será realizado na segunda-feira, dia 12. As conversas entre Afonso Borges e Carlos Starling acontecem de segunda a sexta, por volta das 14 horas no Instagram @afonsoborges1 e posteriormente são publicadas no canal do Youtube: Afonso Borges.

O projeto é uma iniciativa de Afonso e tem como objetivo compartilhar informações sobre a realidade atual por meio de diálogos suscintos com especialistas a respeito de temas relacionados à política, pandemia e contexto brasileiro atual. “O que mais me espanta é a generosidade cidadã, o desejo de compartilhar, do ponto de vista da solidariedade, que o Dr. Carlos Starling tem ao fazer todos os dias há um ano, essa live focada na informação, no esclarecimento das questões da pandemia para a comunidade”, comentou o curador do projeto.

Carlos Starling é diretor e ex-presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, trabalha nos hospitais Life Center, Vera Cruz e da Baleia, coordenando as equipes de vigilância e controle de infecções hospitalares. Infectologista, com 40 anos de trabalho contra epidemias, foi o responsável pela implantação do controle de infecção hospitalar no Brasil e na América Latina, tendo treinado mais de cinco mil pessoas só em Minas Gerais. Ciclista profissional, participou duas vezes do Tour de France, principal competição mundial de ciclismo, e foi vice-campeão brasileiro, na categoria master.

O primeiro episódio teve, como proposta de Carlos Starling e demanda da audiência, o tema “Eu Cloroquino, tu Cloroquinas?”, referente a polêmica do uso desse e outros medicamentos como tratamento para o coronavírus. “As sociedades científicas ficam extremamente preocupadas com o estímulo do governo à essas drogas para tratar ou prevenir infecção pela Covid-19”, informou o médico.

Para o infectologista a utilização de medicamentos como Hidroxicloroquina e Ivermectina para o tratamento contra Covid-19 é uma propaganda enganosa. “Isso é muito sério porque esses medicamentos não funcionam para esse fim. Temos inúmeros trabalhos, publicados em revistas extremamente sérias, com consistência científica e feitos com metodologia correta que mostraram que essas drogas são absolutamente ineficazes, tanto para prevenir quanto para tratar o coronavírus. Ivermectina, por exemplo, é um remédio que usamos para tratar vermes, parasitas, e que tem ação sobre coronavírus in vitro, ou seja, no tubo de ensaio, na placa de laboratório. Mas, na hora que transporta isso para o ser humano a dose é 50 vezes maior que temos que usar, isso é neurotóxico, ou seja, provoca convulsão”.

Essas alegações tem consequências severas segundo o Dr. Carlos. “Isso tem um efeito colateral de as pessoas se sentirem confiantes para saírem e assim, se exporem e expor outras pessoas também porque 50% das infecções por coronavírus são assintomáticas. Então ele adquire Covid, acha que está protegido pela cloroquina e transmite dentro de casa para as pessoas mais vulneráveis”.

O procedimento técnico adequado caso a pessoa adquira coronavírus se refere ao médico, após exame, receitar remédios para amenizar os sintomas e caso haja uma infecção secundária. “Essas infecções virais cursam com muita frequência por infecções bacterianas. No caso de também haver uma infecção bacteriana podem ser medicados antibióticos, mas dentro de protocolos estabelecidos”.

Segundo Starling, não há remédio que cure contra a COVID-19. “Não tem nada de ficar inventando Cloroquina, Ivermectina, Itidazico, Vitamina D, nada disso tem nenhuma comprovação de eficácia”.  Ele explicou que muitos médicos que estão receitando esses medicamentos não são infectologistas, ou seja, especialistas nessa área, portanto não estão aptos para tratar Covid. “É a mesma coisa de eu fazer uma cirurgia cardíaca, não é a minha área”.

Para encerrar a primeira conversa, o infectologista forneceu um conselho: “Não Cloroquinémo-nos”. “Eu não Cloroquino e não indico ninguém a Cloroquinar porque esse medicamento é utilizado para tratar artrite reumatoide, é um anti-inflamatório. E estão faltando esses medicamentos nas farmácias e quem precisa realmente está tendo muita dificuldade”. O médico também explicou que o remédio é eficaz no tratamento de Lupos e Malária. “Com todo mundo usando Cloroquina o que pode acontecer é o plasmódio da Malária ficar mais resistente a hidroxicloroquina. Então é um desserviço que presta a população”.

E ainda alertou: “O estudo que saiu na New England agora mostrou que o grupo que tomava Cloroquina teve que parar por causa de efeitos colaterais gastrointestinais. Pode dar arritmia cardíaca e gerar morte súbita, principalmente se ligado a azitromicina”.