fbpx

Paulo Ferreira, fundador da Book Company, de Portugal, fala da importância da parceria com o Brasil

23 de julho de 2020

O Sempre Um Papo e o Festival Literário de Araxá – Fliaraxá firmou parceria inédita com a Book Company, de Portugal, no sentido de compartilhar em tempo real a programação dos projetos, no Brasil e Portugal, no Facebook. Os mais expressivos nomes da literatura em língua portuguesa estarão presentes na programação conjunta. Já está em andamento a transmissão no Brasil dos eventos do projeto “Ler Olhos nos Olhos”, que tem curadoria da Book Company, assim como os eventos do Sempre Um Papo pela rede portuguesa.

Paulo Ferreira, fundador da The Book Company – empresa que sintetiza toda uma abordagem multidisciplinar ligado ao livro, à edição e à leitura-, fala na entrevista abaixo sobre a atuação da instituição e a importância dos projetos se interligarem em prol da literatura. O executivo, junto com seu sócio Tito Couto, participam de uma conversa on line com Afonso Borges no dia 27 de julho de 2020, segunda-feira, às 18h. O vídeo também fica disponível para posterior visualização no Youtube do Sempre Um Papo.

A fundação da The Book Company surgiu a partir de qual demanda?
Pareceu-nos que havia espaço para criar uma área de serviços e produtos complementares ao sector editorial e ao negócio do livro. Apostámos nesta premissa em 2006 e desde então não nos arrependemos.

Quais são os projetos ligados diretamente à Book Company?
A The Book Company herda o trabalho de mais de uma década em prol do livro, em que atuámos quer na consultoria editorial (criação de chancelas, planos de promoção e marketing, etc), formação profissional (em todas as áreas da cadeia de valor do livro para privados e empresas), agenciamento literário (mais de 30 autores, vendidos para mais de uma centena de países, muitos deles no Brasil) e organização de eventos (actuação em 3 continentes, em quase 20 países). Temos também uma área de LAB, em que como o nome indica funciona como área de crash test, em que permanentemente estamos a tentar redefinir e reinventar as áreas em que atuamos. Somos os principais críticos de nós próprios. 

Sobre o Ler Olhos nos Olhos, qual o objetivo do projeto?
O Ler nos Olhos é um projecto da Câmara Municipal de Oeiras, uma das mais interessantes e estimulantes prefeituras de Portugal, com uma agenda para a cultura e para a ciência muito dinâmicas. Como resposta à pandemia e ao confinamento a que todos fomos forçados, mas ao mesmo tempo aproveitando uma onda que fazia com que o público estivesse mais disponível para lives, foi montado o projecto com uma programação de luxo que une os vários locais onde se fala português.

Como o Sr. vê o incentivo à leitura em Portugal e no Brasil?
Todo o que for feito será sempre pouco. Não só pelo efeito multiplicador que tem a nível individual, da sociedade, mas também das economias. É ver os números para sabermos porque motivos a aposta na leitura, na cultura, na ciência não é um custo, mas um investimento. O grande desafio é conseguir que todos compreendam que este incentivo é uma enorme oportunidade.

Qual a importância nas parcerias de projetos ligados ao livro, leitor e autor , para unificar a divulgação da produção editorial em língua portuguesa?
É fundamental. A criação de uma rede de parcerias permite exponenciar experiências individuais para patamares que de outra forma seriam meramente locais.

Como o Sr. avalia o mercado editorial neste momento de pandemia?
Com preocupação, mas não gostaria de fazer futurologia. Relembrando, contudo, que se há 65 milhões de anos um calhau gigante não tivesse chocado com o planeta, os dinossauros não teriam sido extintos. E um pequeno rato não teria saído da toca para se reproduzir e florescer. Esse rato éramos nós.

Qual a importância da parceria entre o Sempre um papo, o Fliaraxá para a Book Company?
É uma felicidade imensa estar mais próximo. Há vários anos que visitamos o Brasil e fica sempre um sentimento de que mais tarde ou mais cedo vamos voltar a casa. Talvez assim fique mais próximo de não ter de fazer escolhas. As duas entidades têm muito em comum e parece-nos que a junção sempre que possível terá um efeito exponencial e de complementaridade nos objectivos que ambos perseguimos.