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Tino Gomes E Saldanha Rolim e a música regional brasileira

20 de novembro de 2020

Texto: Marina Vidal – estagiária sob supervisão

O Sempre Um Papo recebeu os artistas Tino Gomes e Saldanha Rolim para falarem sobre suas trajetórias e andanças pelas cidades do interior de Minas, especialmente Montes Claros, terra natal de Tino e palco para diversas apresentações de Saldanha. O encontro foi mais uma edição do projeto que está acontecendo de forma virtual, devido à pandemia do Covid-19. A conversa foi mediada pela jornalista Jozane Faleiro, no dia 1 de outubro de 2020, sendo transmitida pelo Youtube, Facebook e Instagram do Sempre Um Papo. 

Os convidados iniciaram a conversa relatando suas experiências com a pandemia de Covid-19. Para Saldanha Rolim, os artistas foram os mais afetados profissionalmente, pois conforme o que acredita “nós artistas fomos os primeiros a parar e vamos ser os últimos a voltar a trabalhar”. Mas apesar de ser muito ruim a impossibilidade com relação ao trabalho artístico presencial, o cantor e compositor afirma que está encarando a pandemia como mais um empecilho. “Vamos superar e ter que lidar. O trabalho do artista nunca foi fácil, falar do Brasil no Brasil e trabalhar com a cultura popular é uma luta diária”, afirmou Rolim. Tino Gomes divide o mesmo pensamento de Saldanha ao explicar que a pandemia para as pessoas que lidam com música, “é uma coisa que mexe muito com a gente. Mas temos que lutar e resistir”. O momento pelo qual estamos passando não assusta o artistas conforme explicou Tino Gomes, pois “nós somos parte de uma legião de artistas que resiste bravamente as crises sem o apoio de ninguém”.  E ainda completa que estamos passando por um momento no qual devemos desacelerar e refletir, pois “nós do planeta estamos destruindo tudo por causa da ganância”, enfatizou Tino.

Saldanha ainda faz um apelo a visão que os brasileiros tem sobre os artistas, mostrando que os artistas não estão sendo apreciados da forma como merecem, “gostaria que tivesse, não um olhar diferenciado, mas um pouquinho mais de cuidado com os artistas”. Porque, segundo ele, a arte está presente em nossas vidas nos momentos mais simples e “os artistas no momento estão aí, jogados e sem apoio dos governos”. Tino complementa sua fala ao afirmar que não queria um olhar especial para os artistas, pois “se eles olhassem para a gente, já era o suficiente”, mostrando a falta de valorização da arte e de seus autores.

Os dois artistas são apaixonados por Minas Gerais. O amor de Saldanha pelo Estado se originou ao ir para Salinas, no Vale do Jequitinhonha no Festivale, que é um festival de cultura itinerante que acontece todo ano na região. “Fui como jurado e daí comecei a fazer muitos shows, foi um período muito fértil dos movimentos culturais do Vale do Jequitinhonha e ai começa minha história em Minas”. Então, ele conheceu a mulher e teve filho e ficou em Minas. “Não saio daqui, só saio para ir no Nordeste tomar um banho de mar, para ver os amigos, visitar o Maranhão”. Tino Gomes, apesar de já ter saído de Montes Claros, a cidade nunca saiu dele, “a partir de 1974, todos os meus discos tiveram essa pegada montes-clarense”. Tino mencionou o festival Catopê, manifestação cultural que existe em Montes Claros há mais de 160 anos que reúne os ritmos Catopês, que traz influências da cultura africana, Marujos, com a influências portuguesas e Caboclinhos, com a descendência indígena. “Tudo isso no norte de Minas, onde não tem mar. E essa marujada espetacular que tem uma sonoridade fantástica”, enfatizou o músico.

Na live, os artistas apresentaram algumas canções de seus repertórios. Saldanha cantou a “Princesa do Meu Lugar” de Belchior. Já Tino Gomes cantou a primeira música que ele compôs, juntamente com Charles Boavista, e que está completando 47 anos, “Desentoado”. Tino Gomes e Saldanha Rolim, terminaram a conversa com um conselho para os jovens artistas. Primeiro Tino disse ter orgulho dos novos músicos de Montes Claros como as bandas “A Outra Banda da Lua” e “Taboo”. “A persistência, a luta e a fé tem que ser igual para todos”. E Saldanha completou: “coloca a capa de chuva e sai ao mundo, porque o mundo é o quintal da nossa casa e é preciso que você ouça seu coração, faça aquilo que te faz feliz e caia no mundo. As estradas não são fáceis, mas no final é divertido”, lembrou o músico.

Essa conversa pode ser assistida nas redes sociais do projeto, Instagram e Facebook e no canal do Sempre um Papo no Youtube, por meio do link: https://www.youtube.com/watch?v=FbLy4mvwzlM&t=265s